sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Bismarck 1/200 amati

O ícone da batalha do Atlântico em um modelo que desafia até o mais experiente modelista.



            Eu sempre comento nas minhas colunas sobre a experiência que é montar um modelo. Detalhes de encaixe, precisão, exatidão e qualidade de um modelo refletem diretamente a visão da empresa que o fabrica. Hoje vivemos na era do "kit vendido na caixa", onde o que mais atrai novos clientes é a qualidade do produto na caixa, a quantidade de peças e a forma como tudo isso é apresentado. Temos célebres casos de kits muito vendáveis nesses termos mas que apresentam montagem bastante problemática. Mas temos também aquelas empresas que estão sempre tentando surpreender aqueles que acham que não podem ser mais surpreendidos. Os que resistem no modelismo vivem hoje, na minha opinião, uma era de ouro de novos kits e opções.

           
3 das centenas de armamentos do navios,
de diversos calibres e tamanhos diferentes
as gruas em construção
Mas o que dizer de uma marca que não esta nem aí para tendências? O que dizer de uma marca de mais de cem anos no mercado que imprimi seu próprio valor de qualidade, e está muito bem com isso, obrigado?

         


   Estamos falando da Amati. Um empresa que está no ramo desde 1879 oferecendo um modelismo próprio, a moda antiga, clássico, ao mesmo tempo fascinante, surpreendente e lindo. Há espaço para uma empresa dessa? Hoje em dia mais do que nunca! Com a valorização de tudo que é “vintage”, mais uma crescente necessidade do "hand made" do século XXI, uma forma de pensar modelismo meio ao estilo século XIX torna a marca bastante atrativa.

           
Os primeiros passos da montagem do casco
  Para mostrar o que é essa experiência, apresento a vocês um colosso. Simplesmente um Bismack na escala 1/200. O modelo foi comercializado no Brasil em bancas de jornal, em 140 fascículos, aproximadamente 3000 peças entre balsa, mdf cortado a laser, duzias de folhas de photoeched, peças em plástico, resina, fibra de vidro, fios de cobre, tubos de alumínio, peças fundidas, fios de nylon e etc...

            A marca possui um aproach próprio. Diferente de absolutamente tudo que vemos hoje no mercado. Nascida antes mesmo do advento do plástico, fincou suas tradições nos clássicos modelos de veleiros e barcos de madeira em geral, seguindo um esquema de construção que se assemelha demais com a construção de um veleiro verdadeiro. Apesar do Bismarck ser um encouraçado de aço da segunda guerra, a Amati trouxe para o modelo todo esse DNA de construtores de veleiros.

            
Casco começando a tomar forma. Ainda no contra-casco
Todo o casco é construindo em madeira, cava por cava, ripa por ripa, casco e contra casco montado "madeirinha por madeirinha", assim como todo o resto das estruturas superiores da construção. Uma solução século XIX que não é das mais fáceis, nem o ideal para um barco "metálico". A experiência de montar um casco de madeira, para um "plastimodelista" como eu, apesar de não ser a minha primeira vez, foi bastante traumática, pois nunca precisei transformar madeira em metal. A solução não é boa. Apesar de até achar divertido os primeiros passos do casco, fazer a curva na madeira, lixar, vedar, alisar e preencher as frestas para tornar o casco algo liso, se apresenta um tarefa árdua. A maior parte do tempo gasto no projeto foi dedicado a "brochante" tarefa de fazer o casco "funcionar".

          
casco de madeira, feito ripa a ripa. Ripas devidamente
identificadas a lápis. 
  O modelo é todo fabricado com esmero e capricho, peça a peça, o kit amati é uma joia. Joia para poucos. E não estou falando apenas de preço, algo que já se justificaria. Mas não é isso. O modelo é pra poucos pois em nenhum momento a proposta da Amati foi fazer um modelo fácil, indicado a iniciantes. O kit é pensado e projetado para, da forma mais elegante possível , arrancar suor e lagrimas do modelista valente que encarar a brincadeira. O modelo te desafia a todo momento. As soluções encontradas invocam sempre a sensação de construir algo você mesmo, com o modelo apenas orientando e oferecendo o material necessário, mas todo os ajustes, cortes e aferições ficam por conta de quem está montando. A beleza e a riqueza de detalhes é priorizada no projeto, independente se a solução encontrada será viável a todos os modelistas. É preciso muita malícia e experiência para atravessar os infinitos passos do manual.

           
toda a estrutura superior do barco possui um esqueleto
de mdf como essa, a ser revestido com dezenas de
photoeched depois.
  O modelo possui todo um esqueleto central feito em madeira MDF e balsa, tudo cortado a laser de forma precisa e ajustada. Com o chassi das estruturas montados, incia-se a tarefa de revestir com Photoeched as infinitas laterais superiores. São dezenas de folhas de photoeched (dezenas mesmo, mais de 30) que abrangem desde as paredes das estruturas, até os detalhes delicados e miúdos como portas, escotilhas, amuradas, pequenas estruturas e mais uma infinidade de coisas.

os pequenos arados 196, ja ganharam uma publicação
própria aqui no blog.
            As peças em plastico não são dominantes, mas mesmo assim veem em bastante quantidade, e ajudam a completar a coleção de armamentos, telêmetros, antenas e tudo mais. Nada simples, e nada fácil. Cada avanço no manual exige do modelista perícia, paciência e boas ferramentas. Resumindo o modelo, não sei quais desses itens é o mais importante. E aí vai minha primeira grande crítica a esse modelo.

          
detalhes do deck feito a laser. 
Deck começa a tomar forma.
  A dificuldade dele em si não me incomoda. É esse o proposito da Amati, dificultar a sua vida para que o resultado fique mais valorizado. Mas a todo momento, quando passava por dificuldades das mais variadas no modelo, me vinha a mente a forma que esse modelo foi oferecido ao público em geral. Em vinte anos de modelismo, treze anos de modelismo profissional, onze dando aula, passei por apuros bem desafiantes nesse modelo, mesmo pra mim com minha experiência, como dobrar algumas centenas (talvez milhares) de peças de photoeched das muradas, portas, passarelas e estruturas em geral, a fabricação da murada inferior (imagine a aflição de passar uma linha numa agulha 308 vezes, 3 vezes em cada agulha!), a colagem e acerto do casco, a solda nas peças de metal, a lida com as folhas de balsa cortadas a laser dos assoalhos, as intermináveis antenas, as peças minúsculas em profusão...  enfim, vários ápices de dificuldades mesmo para veteranos. Mas pouco disso (ou nada) foi informado para os leigos que viram a coleção na banca e se empolgaram. Deveria haver um aviso bem contundente em relação a isso. E de fato, vários casos chegaram a mim de pessoas que simplesmente não tinha a capacitação suficiente para tocar um projeto dessa magnitude.








Ainda em construção, percebe-se a infinidade de coisas no modelo
Hélices propulsoras feitas em plastico,
pintadas com Pr-colors "Old gold"

          










  Outra critica minha está lincada a essa dificuldade toda: O manual. Se trata de um enorme fichário com 600 paginas de um manual de fotos e texto. Na boa intenção de colaborar com o cliente da coleção, o manual foi feito com fotos “passo a passo” de alguém montando o modelo e o explicando. A intenção foi boa, mas não funcional como deveria. O manual se apresenta confuso muitas vezes. Aparenta também que muitas das passagem foram editadas e diagramadas para “rimar” melhor com o envio das peças. A montagem seguida pelo manual é confusa, sem um raciocínio a seguir, deixando muitas linhas soltas... ou seja, não ajuda a dar aquela “organizada” na vida do modelista. Além de alguns serviços no barco serem absolutamente omitidos.  Ainda tem o fato dele não manter uma constância no ritmo (mais uma vez influenciado com a entrega dos fascículos). O manual começa sereno, explicando passo a passo da interminável colagem das ripas do casco, e termina super afobado, embolando as instruções, omitindo peças e orientando muito mal... Somado a isso, as peças não possuem identificação numérica nas arvores.  Perde-se muito tempo procurando e identificando as peças, num universo de mais de 3 mil itens... Muito difícil mesmo. Num modelo feito para criar dificuldades, uma das maiores delas foi lidar com o manual, algo que cansa qualquer modelista.
Ainda em construção. O detalhamento deste modelo foi algo exaustivo e durou
intermináveis semanas.

            Mais uma vez retomo o questionamento aos modelistas novatos que se aventuraram. Um manual desses pode desestimular alguém a embarcar no nauti ou no plastimodelismo.








detalhe das estruturas superiores feitas em madeira
revestidas de Photoeched.
            Sem falar do ferramental. Os comerciais na TV não mencionavam o fato de que parte de sua casa deve se tornar uma oficina de marcenaria. As ferramentas básicas que eles sugerem dificilmente daria conta de um modelo dessa dimensão.

Impossível de focalizar nos detalhes, são infinitos.
            Algo também chamou minha atenção durante a montagem. Eu já conhecia a fama da Amati pela excelência que possuía em fabricar modelos. Mas nesse modelo de bismarck, encontrei muitas falhas em peças. As peças de plastico apresentam buracos, repuxos, marcas de injeção enormes... Também encontrei falhas em algumas peças de P.E. E ao comparar com o que eu via no manual (a vantagem de um manual por fotos), o modelo do autor do manual parecia muito mais refinado, com folhas de photeched mais delicadas e peças de plástico mais bem acabadas. Não sei exatamente o que aconteceu, mas meu palpite é que, para transformar um kit super exclusivo, de baixa vendagem, em um produto distribuído em massa para o mundo todo, o requinte, a qualidade das peças e dos materiais tiveram que ser deixadas de lado. Ou seja, boa parte do grande diferencial da marca se foi ao transformar o produto em algo massivo.  

Construção se aproximando do fim. Armamentos e muradas todas instaladas
apenas faltando poucos detalhes.
            Além dessas peculiaridades, a montagem do modelo é um pouco problemática. Nada possui encaixe. Tudo que podia ser separado foi separado. As laminas do deck não possuem marcações precisas, e alinhá-las não é algo fácil. Frestas entre as superestruturas ou entre as chapas de metal são constantes. A todo momento é preciso medir, cortar, ajustar, aparar ou tampar algo. Nada é fácil nessa construção. E com um manual te orientando mal, e as peças falhando na identificação, a montagem é quase traumática.

montagem se aproximando do fim. Pintura e efeirtos em andamento. Essa era a camuflagem que ele possuía quando afundado. Havia planos de incrementar ainda mais. 
            Mas ao final, o resultado é acalentador. Meses de trabalho pesado (esse projeto foi iniciado em 2015, mas entre as pausas no serviço, foram 7 meses de montagem, os últimos 3 de forma muito intensa) resultam numa peça única. Um enorme artefato de 1,20m digno para um salão de museu. Uma experiência única, exclusiva e intensa. Um projeto que cobra do modelista total imersão, bastante perícia, e planejamento dos mínimos passos.  O modelo supera todas, ou quase todas as falhas citadas. Na minha opinião, as mais graves são sem duvida o manual ruim e a falta de  um aviso de “Hey, ou você sabe exatamente o que está fazendo, ou caia fora!!!” para um modelo que se vendeu em banca de jornal. Os demais percalços do modelo fazem parte da forma da Amati trabalhar.
Todos os efeitos na pintura aplicados.
           
            A marca quer de você experiencia, dedicação, carinho e capricho naquilo que você está fazendo. É um modelo para ser apreciado com calma, sem pressa, passa a passo do manual, com avanços lentos, saboreando etapa após etapa, sem medo de ficar meses, ou mesmo anos num mesmo modelo. É assim que a marca se torna interessante e única no mercado. Se seu objetivo é apenas um Bismarck 1/200, você pode procurar nas coleções de alguém o antigo modelo da Nishimo, ou então investir no belíssimo e moderno Bismarck 1/200 da trumpeter. Esse modelo da Amati é para apreciadores. Para o modelista a moda antiga, de avental e óculos, trabalhando calmamente em seu bem preparado cantinho ou bancada.
Esse é o tamanho da criança: 1,20m de comprimento.
tripulação somada: Figuras em photoeched da Eduard. 



            Um pouco sobre o Couraçado Bismarck.

tripulação aos seus postos.
            O Bismarck foi o primeiro de sua classe (ele teve um navio irmão, o Tirpitz), e foi o maior e mais moderno navio construído na Europa até então.  Sua construção iniciou-se em Hamburgo 1936 e foi entregue por completo em 1940. Sua tripulação foi comandada por um único capitão, Ernst Lindmann, e apesar de ser o navio mais emblemático da guerra na Europa, teve uma curta vida, apenas 8 meses de operação.
            Além de seu tamanho colossal e uma blindagem fora do comum, ele foi construído com o máximo de tecnologia da época. Era uma maquina de guerra formidável, armado até os dentes e com  fome de destruição. E logo na sua “ofensiva inaugural” ele enfrentou e afundou em combate o HMS Hood, o orgulha da armada Britânica, além de danificar quase mortalmente outro xodó Inglês, o Prince of Wales.  
fotografa-lo na minha casa exigiu uma operação especial.





  Seu sucesso em combate o transformou em alvo número 1 dos ingleses no atlântico, e uma caçada voraz se seguiu, com quase toda a frota inglesa mobilizada para sua caça. Na manhã do dia 25 de maio de 1941, próximo a costa norte da França, a frota Inglesa o achou e iniciou um ataque implacável. Aviões Swordfish decolados do porta-aviões HMS Ark Royal, lançaram seus torpedos contra o navio, e pelo menos um deles acertou a popa da embarcação, destruindo um dos seus lemes e paralisando o outro.  O navio se movimentava em círculos, preso ao mesmo lugar, e mesmo devolvendo fogo cerrado que recebera e afastando algumas embarcações, na manhã do dia 26 ele estava encurralado.  A marinha britânica afirma ter afundado a embarcação, já sobreviventes afirmam ter recebidos ordens de levar a embarcação a pique propositadamente para evitar uma captura.  Fato é que ao entardecer do dia 27 de Maio de 1941, o Couraçado Bismarck, a joia do Reich no atlântico, repousava em sua morada final.






































           

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Aeromachi Xavante pintado com as Novas tintas Aerotech



A já tradicional marca de tintas nacional retorna ao mercado, sob nava direção, cheia de novidades.







  Pintar kits plásticos com tintas automotivas como duco e poliéster é algo absolutamente “jabuticaba”, “made in brazil”, como a feijoada e a caipirinha. Esse costume remete aos anos 80 e 90. Passávamos por um “boom” de modelismo, a economia se estabilizando e se abrindo aos poucos, a TV era uma só e ficava na sala, a internet era coisa de ficção científica e o videogame era diversão de alguns poucos... O plastimodelismo via amadurecer sua primeira geração de crianças dos anos 60, que se divertiram com seus “aviõezinhos de montar” e agora carregavam o hobby de forma séria e madura, um passatempo de gente grande. Os materiais e os kits não entravam em abundancia no pais, mas fato é que as lojas de modelismo eram muito mais recorrentes e abundantes no Brasil, e muito mais relevantes e presentes do que são hoje. Isso porque as pessoas queriam praticar o plastimodelismo e outras formas de modelismo. O Paraguai e a zona franca de Manaus ajudavam a abastecer o país com as novidades da época. Entre essas novidades estavam os aerógrafo. Os primeiros Badgers 100, Iwata Hp-c e Holbien Y-3 entravam no pais e seduziam os modelistas a incrementar suas pinturas... Mas e as tintas? O que usar nesses aerógrafos?
Essa forma inconsistente de abastecimento tornava os insumos (aquilo que precisamos comprar e repor constantemente) muito escassos, ou mesmo inexistentes. Não muito diferente de hoje, não é mesmo?...
Enquanto “gringos” esbanjavam com as novas linhas de gunze e tamiya acrilica, abastecimentos infinitos de esmalte testors e model master... nos aqui tínhamos que nos virar com o pouquinho disso que entrava, ou então apelar para “soluções” criadas por alguns empreendedores da época, como esmalte de parede ou de unha, guache, entre outros...
Mas essas soluções não foram suficiente, precisávamos de mais, e então recorremos a quem já usava tintas em pistola e aerógrafo no dia a dia: Os funileiros.   
Essa nobre classe de trabalhadores nos mostrou a arte de trabalhar com tintas como o Acrílico e o Duco automotivo, tintas feitas para serem aplicadas em ferramentas de pintura, para secagem rápida e para serem resistente e de bom acabamento... mesmo que a principio elas não fossem próprias para uso em plastico, mas os funileiros também nos mostraram o primer, a seladora para plastico, o promotor de aderência e tudo mais... 
"Pastel fechado"
Não demorou para que o casamento entre tintas automotivas e modelistas se tornasse um casamento de sucesso no brasil. Essas tintas estavam disponível, a um preço aceitável, em quantidades ótimas que manteriam o modelista abastecido por décadas... Também não demorou para aparecer quem dominasse a técnica, quem começasse a demonstrar total destreza e talento ao aerografar um modelo. Também não demorou para aparecer quem explorasse essa alternativa para criar produtos voltados aos modelistas, já nas cores, diluições e quantidades que o hobby exigia... 
Foi nesse intuito que o saudoso Marco Giorgetti, vulgo Marcão, começou lá nos idos de 1993 a dar os primeiros paços rumo ao que seria posteriormente a Aerotech. Marcão era um modelista excepcional, ligado as tendencias da época, dono de um talento impar em misturar cores. Por mais de 20 anos se prestou a abastecer modelistas e lojas com o que havia de melhor em termos de duco e acrílico automotivo, já nas cores que os modelistas demandavam, e prontas para o uso em aerógrafo.
Marco Giorgetti carregou a sua marca até que nos últimos anos de vida, por volta de 2015, já debilitado na saúde, ele transmitiu sua marca ao modelista e amigo pessoal Ricardo Matua, outro excelente modelista (já colaborou muito com a Revista Hobby News) que manteve a marca até o encerramento das atividades de sua loja em São Paulo, a Model World. Agora, Werner Kolbe, outro modelista de longa data, assume a marca, trazendo cara nova, novos produtos e uma nova forma de atuação.
A marca reapareceu  no mercado rejuvelhecida. Novo logo, embalagem, novas cores, novos sets de cores, sangue e folego novo para a marca. Recebemos gentilmente um desses sets para a avaliação. Recebemos o set “Cores Fab”, quem implicam em cores da fab para possíveis pinturas dos últimos 50 anos. Vamos a avaliação criteriosa desse novo produto do mercado, e para isso, fomos atras de um modelo de avião da fab. O modelo escolhido foi o Mb 326 Italeri escala 1/72, modelo que se presta a fazer a versão brasileira do avião, o AT-26 Xavante. Falaremos um pouquinho dele aqui também, mas o foco é a questão das novas tintas.


Comparando as cores com os FS originais. Todas passam nos testes
chegando bem proximo da cor real
Avaliando as tintas:

A apresentação do set é algo muito convidativo para compra. Uma caixinha transparente guarda os 8 frascos plásticos de tinta de forma organizada. Dentro da caixa ainda encontramos referências coloridas de pinturas fab de várias épocas, instruções muito bem escritas sobre os usos da tinta, e ainda vem uma pipeta para uso das tintas. O fato das cores virem em tubos de plastico ao invés de vidro incomodam um modelista como eu, que está a mais de 15 anos usando tintas duco. A escolha do plastico baixa o custo de 


produção, deixa a embalagem mais leve e resistente, isso é fato, mas ainda me incomoda. Isso porque a validade de uma tinta duco bem acondicionada é indeterminada, pode durara literalmente décadas. Porem eu já observo em alguns frascos meus adquiridos a alguns anos o detrimento da tinta, isso devido a exposição continua do plastico da embalagem ao thinner da composição da tinta. Meus frascos das primeiras remessas da antiga aerotech que vieram no plastico, cerca de dez anos atras, estão deformados e esbranquiçados, com a tinta talhada dentro, algumas já inutilizáveis, enquanto tintas adquiridas anteriormente a essas, tambem da antiga aerotech mas em embalagens de vidro, estão em perfeitas condições de uso, passados quinze anos após a aquisição.
As cores vem pelos seus respectivos “Federal Standart”, ou FS. Para quem não sabe, o FS é a tabela de cores para fins oficiais, governamentais e militares dos Estados Unidos. Por praticidade, a Força Aérea Brasielira tambem adotou esse padrão para ela.
Não foi testado todas as cores do set, foi usado e testado apenas as cores necessárias para fazer o Xavante no padrão três tons, padrão brasileiro esse que é uma copia do padrão utilizado pela Usaf (força aerea americana) no vietnam. Na verdade não copiamos, adotamos essas cores quando compramos aviões norte americanos que já foram entregues nessa coloração, e a tal se apresentou muito eficiente em solo nacional. 
No teste comparativo de tonalidade em relação a carta oficial de cores Federal Standart, nenhuma cor foi precisamente exata na tonalidade. Algumas chegaram próximas, outras nem tanto, como mostra as fotos. Mas temos que concordar que isso é muito difícil de acontecer, marcas grandes de tintas também erram nesse quesito, erram até mais que a aerotech. O que ela apresentou está dentro do que se espera.
Porem na pintura, as cores se apresentaram mais distante do que o resultado que se esperava. Ao olharmos para um avião fab com esse padrão de cores, é comum encontrarmos um avião com “aspecto de vietnam”, já que a pintura era a mesma, mas a sensação no kit não era essa. Comparei com outros modelos pintados, um com pr-colors, outro com as Antigas aerotech, outro ainda feito com vallejo. Havia diferentes nuances entre eles, mesmo porque o tempero da cor muda muito de modelista para o outro, mas o xavante era o que parecia mais distante. Consultei diversas fontes e questioneis modelistas experientes e estudiosos sobre a fab. Todos não se sentiram plenamente convencidos pelas cores aplicadas no avião. Os principais comentários que ouvi foram a respeito do tom castanho (fs 30219) que não estava muito adequado e apresentava um tom avermelhado e escuro demais, e o tom verde claro (fs 34258) não seria o federal standard adequado. Mas vou relativar esse aspecto. Tonalidades tem muito mais haver com gosto, percepção e tempero que o modelista aplica na cor do que de fato a tonalidade em si. Tonalidades corretas são apenas o ponto de partida ideal, não quer dizer que seja o ponto de chegada da pintura final.
O que deve ser observado de fato é a qualidade da tinta. Dentro daquilo que se espera para um tinta duco, a tinta foi ótima. Excelente cobertura, controle total de saturação das cores, total resistência a outros produtos comuns no hobby (como agua raz, tinta oleo, vernizes e amolecedores de decais e etc), excelente rendimento e acabamento impecável, como uma boa tinta duco deve ser.
Então, concluindo a avaliação da tinta, antes de apontar as falhas da marca, que de fatos são poucas, devemos celebrar a (re)entrada de uma marca no mercado, aumentando a oferta e a concorrência no escasso mercado de insumos de plastimodelismo no Brasil. Principalmente devido ao fato dessa marca carregar uma tradição nas costas, ao mesmo tempo que é tomada por uma visão nova de gerencia e estratégia. A tinta é boa, vamos aproveitar, só temos a ganhar com isso.

Tutorial: Porque e como usar tintas automotivas no plastimodelismo


As tintas automotivas estão aí para quem quiser no mercado de plastimodelismo. Hoje em dia, essas tintas, que podem ser duco, poliéster, acrílico ou PU, formam hoje o que temos de mais completo e acessível em termos de tinta para plastimodelismo, sem deixarmos de lado o alto desempenho e os acabamentos impecáveis. Nos meus cursos online ou presencial de aerografia para plastimodelismo, usamos quase que exclusivamente essas tintas, devido a disponibilidade, preço, e principalmente pelo fato dessas cores unirem acabamento impecável com uma facilidade incrível para aplicação. Em pouco tempo de prática, o modelista já ganha confiança e destreza suficiente para dominar completamente a pintura de seus modelos.
A pintura é bastante simples, não existe muito segredos, e alguns irei ensinar agora:

1- A peça precisa estar devidamente preparada. Essas tintas não aderem diretamente ao plastico, por isso é necessário o uso de primers. As marcas, como a aerotech, oferecem primers próprios feitos em acrílicos. Mas geralmente, primers diversos servem para as tintas automotivas. Então escolha aquele que mais te agrada e aplique camadas finas  
2- Trabalhe sempre com as tinta duco devidamente diluída. Não exite uma diluição precisa, isso vai variar muito dependendo do aerografo, compressor, acabamento e proposta do modelista. Para acabamentos lisos, ideal para brilho, ou mesmo para melhor aplicação de decal posteriormente, use uma diluição generosa (em torno de 1:1) de thinner automotivo de boa qualidade, ou mesmo thinner para poliéster. 
3- Aplique camadas finas e dê um período de descanso entre as mão de tintas para evitar “arrepios” no plastico ou problemas na pintura.
4- após algumas horas de aplicado, a tinta fica absolutamente inerte, aguentando qualquer tipo de tinta, verniz ou produto que possamos aplicar para finalização do kit. 
5- O uso correto de tintas duco e outras tintas automotivas pode trazer uma série de vantagens e atalhos para o modelista. Por ser a tinta mais fácil que tem para dominar no aerografo, é possível rapidamente dominar o controle de saturação da tinta e proporcionar uma pintura com desgastes e weatherings, desde as primeiras camadas. 
6- Para pinturas brilhante, a tinta duco é a melhor opção para cores solidas clássicas, já que é um tinta que possui “autobrilho” (brilho próprio), ou seja, é possível fazer com que ela brilhe e reflita naturalmente, economizando mãos de verniz e horas de polimento. 

Precauções:

1- Trabalhe sempre em lugares bem arejados e ventilados, e recomenda-se o uso de mascara. Caso você não tenha alergia a thinners, uma boa mascara de pano pode ser o suficiente. Caso o thinner te incomode demais, mascaras com elementos ativos são recomendadas.
2- Tome cuidado com saturação excessiva de tinta sobre o modelo. Lembre-se que thinner e plastico não são os melhores amigos. 
3- Acomode a tinta devidamente protegida da luz e bem fechada em seus frascos, e tera tinta para muitos modelos por anos. 


Falando um pouco sobre o Kit: Mb 326 Italeri 1/72


Quando monto um kit 1/72, apenas uma coisa vem a cabeça: Diversão. Kits 1/72 me remetem a uma forma mais pura e lúdica de praticar o hobby. Menos arte, mais prazer. Kits 1/72 são aqueles que te permitem trabalhos bem feitos e sofisticados, rico em detalhes e efeitos, ao mesmo tempo com pouco trabalho, pouco esforço. Pequenas quantidades de “serviços” feitos no modelo já geram modelos incríveis. Talvez ainda seja minha escala favorita, pelo menos quando o assunto é relaxar com um modelo na mão...
Se essa for sua pegada ao montar um MB 326 1/72 da Italeri, você estará bem servido de um kit simples, de baixa dificuldade, defasado pelo tempo, é verdade, já que não estamos falando de um modelo novo, mas terá diversão por uns dias e um modelo muito simpático ao terminar.
Um simpático e simples interior 1/72
Já se você for um modelista mais meticuloso, detalhista, atendo a detalhes de versões, e se estiver afim de fazer o exato modelo at-26 da força aérea brasileira, prepare-se para se decepcionar com um kit absolutamente omisso, e prepare-se também para “gastar” bastante de seu talento ajustando e construindo o que a italeri simplesmente não fez para esse modelo. 
O kit injetado em alto relevo tem linhas pobres e poucos detalhes. O interior da cabine é extremamente simples e pobre, salvo aos 45 do segundo tempo pelas decais dos painéis que o tornam mais palatável e acaba funcionando em algo. A simplicidade do modelo acaba ajudando na hora do fechamento da fuselagem, que acontece dando o trabalho costumeiro de um kit, nada demais. Um pouco de trabalho terá ao tentar rebaixar as linha do painel, caso esteja interessado em adequar o modelo as técnicas modernas de washed. As linhas dos encaixes das asas acabam ficando “grossas” demais para um modelo 1/72, necessitando de um trabalhinho de funilaria ai.    
Tampando as fendas nas raízes de asas. 
Até aqui nada demais para um modelo de avião na escala 1/72 lançado a tanto tempo, isso seria se a Italeri se propusesse apenas a vender o modelo do MB 326, e não de sua versão brasileira, o at-26. Mas ao mandar no modelo decais para a versão da FAB, (por sinal bons decais, apesar de vir faltando elementos importantes, como numeração), acreditasse que se trate de um modelo pronto para fazer nosso querido xavante. Mas não é.
Diferente das versões italianas e australianas, a versão brasileira não é apenas uma versão de treinamento de pilotos, nosso avião cumpre essa função também, mas também é operacional, lançador de bombas e foguetes, além de possuir dois pods de canhões nas asas e um tanque de combustível diferente das demais versões. O modelo não vem preparado para nada disso. Apesar de vir os pilones para os armamentos, o manual simplesmente os ignoram, e mesmo que queira aproveitar o tanque de combustível do kit, será necessário um “scracht” para adaptá-lo, pois os que vem no modelo são os canhões e pods de foguetes do avião irmão operacional de ataque ao solo, o Impala. 
Produto utilizado nas fendas foi a massa putty da Vallejo
Resumindo, um kit pobre em detalhes mas que pode render um bom serviço, e que fica mais pobre ainda se optarmos pela versão brasileira. Mas não devemos subestimá-lo. Se você é um apaixonado por fab, ele é um otimo ponta pé inicial para seu projeto de Xavante. As correções necessárias não são difíceis, e só de comprar um modelo que vem a versão brasileira na caixa, já bate uma pontinha de patriotismo muito necessário as vezes... Então bora lá, hora de tirar esse seu kit do armário (no bom sentido) e encarar ele, sem modificação nenhuma como eu fiz, ou mudando tudo e deixando ele bonitão, afinal é uma parte importante da historia da nossa aviação que você vai ter na sua vitrine.

Uma história rápida sobre o Xavante, o guerreiro da FAB.

No final dos anos 50, a tradicional empresa aerospacial italiana, a Aeromacchi, sentiu a necessidade de criar um avião treinador para a nova geração de caças supersônicos, como os f-104. O mb-326 consiste de um treinador a jato sub-sonico, mas com os avionicos mais modernos da época, sistemas de radares, computadores de bordo e um motor a reação moderno.
Eles estavam corretos em prever essa necessidade, o avião foi um sucesso de vendas dentro e fora da Itália, quase 800 unidades fabricadas vendidas a 13 países. Devido a acordos comerciais entre a Aeromacchi e a Embraer, o Brasil teve o beneficio de fabricar seus próprios modelos em fabricas da Embraer no Brasil.
A intenção da FAB nos anos 70 era ter a disposição aviões treinadores para treinar tripulações para os recém-adquiridos mirage III. O avião cumpriu muito bem esse serviço, além de ganhar um viés operacional, passando de um simples treinador, mas também um avião capaz de efetuar ataques ao solo, carregar armamentos e bombas, efetuar missões efetivas de ataque e defesa, e não só treinamento.
A aeronave cumpriu muito bem suas funções até o ano de 2013, quando foi oficialmente retirada dos cursos de voo e posteriormente, retirado do serviço, apesar de algumas unidades serem avistadas em bases aéreas até hoje.