terça-feira, 11 de outubro de 2016

Montagem do novo Gloster Gladiator 1/72 Airfix e o que esperar dos novos kits da marca


O pequeno e simples modelo mostra o que esperar dos novos modelos da clássica AirFix.




Quem está a pouco tempo no plastimodelismo, pode achar que a Airfix é uma marca de kits excelentes... Bom, não deixa de ser, mas quem está a mais de dez anos no hobby sabe que nem sempre foi assim. “Excelente” era uma qualidade difícil de dar a um kit Airfix antigamente.
A marca que nasceu em 1939, fabricando e vendendo brinquedos, introduziu os plásticos injetáveis na linha de montagem por volta de 1947. Alguns a consideram como a primeira marca a vender um “kit”, assim como os reconhecemos hoje, isso porque em 1949, a marca fabricou um pequeno modelo de trator em plástico, e para baixar os custos de produção, esse modelo era vendido desmontado.
Airfix é sinônimo de plastimodelismo da Inglaterra. O nome transcende a marca, já que la você monta um “kit airfix” de um avião, mesmo se ele não for um airfix. A marca se pautou pela tradição de seus kits, nos anos 60 e 70 eram o que havia de mais moderno a disposição. Mas já nos anos 80 sentia o sinal dos tempos, e os concorrentes nadavam de braçada a sua frente. A marca passou por apuros financeiros, junto com sua proprietária, a Humbrol, devido a concorrência voraz e um numero cada vez menor de praticantes de plastimodelismo. Sem lançar novidade, a marca adentrou o século novo com uma péssima reputação de seus kits e um enorme rombo no banco.
Mas isso mudou. Em 2006, a marca foi vendida para a Hornby, que reprojetou toda a empresa, desde a sede da fabrica, passando pela revisão de seus produtos, que é o que nos importa de fato!
Sem se desvencilhar das tradições, que ainda direcionam os lançamentos da marca, a Airfix foi repaginada para entrar no século XXI e voltar a surfar no modelismo, muito diferente daquele dos anos 60. A marca tem alcançado a excelência dos modelos, chegando muito perto da qualidade de concorrentes de peso, e algumas vezes superando essa qualidade.
Particularmente não havia tido chance de experimentar essa nova era da Airfix, ainda com um pouco de ranço do que já passei na mão deles, mas de boa vontade pelo comentários que ouço dos novos kits, fui escalado para experimentar essa geração nova de Airfixs.

Unboxing- As primeiras impressões.

As novas caixas são bonitas e coloridas, chamativas e muito bem impressas. Ao abri-la, as boas surpresas começam. O kit cativa ao olhar. Peças muito bem injetadas, scribers delicados, porem bem marcados. Muitos detalhes, rebites, rebaixos e ressaltos.
O manual a primeira vista parece ser muito bom, com uma ótima carta de pintura colorida no final. Mas ao decorrer da montagem, ele apresentou pequenas falhas, como a falta de indicação da pintura de partes internas.
O kit apresenta duas opções de montagem, e com isso traz hélices, trem de pouso e outros detalhes a serem escolhidos durante a montagem. Além disso, o kit vem com peças bem detalhadas e delicadas para o interior e para o motor.
O plastico parece muito com o tradicional plastico usando pela marca. Um pouco mole, mas bom para trabalhar, fácil de lixar e de remover as bem definidas marcas de injeção. As marcas eu achei que estavam marcadas demais, grandes demais para um kit novo, mas isso não se configura em um problema muito grande. Só é preciso tomar cuidado com solventes muito forte no uso com esse plástico, ele é um material delicado e pode apresentar danos ao contato exagerado com thinner, por exemplo.
A folha de decal é muito bem impressa, bem colorida e bem definida. Até os menores stancils são legíveis.

Montagem.

Iniciando a montagem do kit pelo interior do cockpit. Já nas primeiras peças, nota-se uma qualidade superior na engenharia do modelo. As peças tem um equilíbrio excelente entre detalhamento e encaixe. A engenharia adotada para as peças do interior funciona muito bem. O painel não possui os relevos dos relógios, ja que a marca preferiu adotar a superfície lisa e o uso de decalques. A solução funciona, não é de todo ruim, já que a decal é muito bem impressa, e o painel possui níveis diferentes, e para cada nível existe um decalque especifico. Não é a solução mais sofisticada, mas foi um belíssimo e bem executado “feijão com arroz” para o modelo.
Já nos primeiros manuseios com tinta, o plastico demonstrou aquilo que era temido: O plastico apresenta uma certa fragilidade para thinner, habito comum entre nós brasileiros o uso de tintas a base de thinner, então merece ser usado com cautela.
Segue a montagem do exterior do kit sem maiores dificuldades. Tudo encaixa em seu devido lugar sem surpresas. O motor é riquíssimo em detalhes, e bem montado, se torna uma peça muito especial. As peças que formam o capô do motor não encaixam tão bem, e demandam um pouco de funilaria para diminuir as folga. No restante da fuselagem, ajustes e funilaria se faz necessário para o fechamento adequando, mas tudo absolutamente dentro do esperado. Algo que me chamou a atenção foi os canos de escape que já vieram furados, enquanto os canhões não. Ou seja, não há limitação técnica em fazer os canhões furados, talvez uma “preguiça”.
Os frames da transparência, na minha opinião, saíram um pouco grande e fora de escala, mas no final funcionam bem para o mascaramento da pintura. Então, não foram de todo mal. Mas importante frisar que ao final do modelo, o encaixe das transparências (um momento crítico da montagem), as peças funcionaram super bem.
Os decais corresponderam à qualidade esperada, não apresentaram silvering, tinham as dimensões corretas, a grossura também perfeita, um decal que não se fragiliza, mas ao mesmo tempo se mantem delicado, abraçando o kit e se assentando com perfeição.
No final da construção, senti duas dificuldades mas que não afetaram meu parecer ao kit. A primeira dificuldade foi as furações para os estais das asas. O kit já vem pré furado para a instalação de estais, porem não vem com todos os furos. Isso pode confundir um modelista incauto que queira se aventurar a fazer os difíceis estais do modelo. Outra dificuldade que encontrei foi instalar a segunda asa do modelo, o alinhamento dos suportes da segunda asa não são totalmente exatos, dificultando o encaixe.

Roteiro de montagem.

Como em todo avião, foi feito primeiro o interior do avião. Devidamente pintado de verde “Interior green RAF”, com detalhes em aluminio, foi feito um drybrush com cores metalicas, washed com tinta óleo, e o acabamento com verniz fosco Dullcote Testors.
Em seguida foi feito o motor, com uma técnica muito simple. Cada elemento do motor foi pintado com uma cor metalica diferente e contrastante entre si, para acrescentar volume e detalhes a peça. Para a ferrugem dos escapes, foi utilizado a técnica classica, pintando de marrom primeiro, e depois com drybrus de cores metalicas.
Em seguida, montado e acertado a fuselagem e a asa inferior, o avião recebeu uma camada de cinza claro acrilico, que ao mesmo tempo já simularia o cinza claro da pintura e tambem serviria de primer para as demais cores, em seguida, com branco Duco Pr-colors, foram feitos os “highlights” da pintura para ela já parecer desgastada desde do incio, ressaltando as nervuras das cavas das asas.
Para camuflagem, foi utilizado a técnica da mascara com massa tipo TAC (pritt tac, Blue Tac, panzer putty ou silly put). O azul e o verde da camuflagem foram feitos no aerógrafo, sem efeitos de pré shadding, e sim com desgastes utilizando apenas a saturação da tinta e o controle do aerógrafo.
Para hélice foi utilizado a técnica do óleo sobre o acrilico, para simular as nervuras e camadas da madeira.
Foi somado a pintura algumas sombras com a tinta “Smoke” da tamiya. O Washed feito com tinta óleo. O kit foi selado com verniz Testors Dullcote fosco, e após a secagem do verniz, foi somado alguns descascado nas partes metálicas do avião, utilizando lápis, comum 2b de grafite nas partes claras, e de ceira colorido Prata nas partes escuras.
Os estais foram feitos com o método tradicional, esquentando e esticando pedaços de sprue (o plastico que sobra do kit.)
Na minha montagem, foi utilizado basicamente tintas duco da Pr-colors. O avião foi quase todo pintado com o aerografo Paasche Talon, com alguns efeitos menores feitos com um Harder Steenback


Considerações finais.

O kit me convenceu: A airfix entrou no século XXI.
Não é o melhor kit que eu montei, nem mesmo o melhor kit 1/72 que eu já montei, mas além de ele estar muito muito longe do que eram os kits 1/72 da marca a duas décadas atras, o kit é realmente bom, bem feito, competitivo no mercado e divertido na bancada. Tudo funciona, todo o kit, da caixa ao decal, tem qualidade. A engenharia é excelente, encaixes precisos sem por em risco os detalhes do modelo.
E gostei demais. O kit restaurou minha confiança nessa marca tão tradicional. E o que parece, a marca está cada vez mais forte, sempre com novos lançamentos. Então vamos ficar de olho nessa “nova velha” marca, no que ela lança por aí. Se os outros lançamentos mantiverem a qualidade deste pequeno e descompromissado modelo, a marca tem tudo para se tornar a grande referência em plastimodelos na europa, mais uma vez.

Um pouco sobre o Avião:

O Gloster Gladiator ocupa um importante lugar dentro da história da RAF (Força aerea Real inglesa). Entrou em serviço em 1936, poucos anos antes do Hawker Hurricane e do Supermarine Spitfire, o Gladiator combinou aspectos do passado com novas tecnologias da época. Foi o primeiro caça da RAF a ter a carlinga totalmente fechada, contudo o Galdiator ainda era um caça biplano de trem de pouso fixo, como os caças da primeira guerra.  Era rápido para um biplano, com uma velocidade máxima de 413 km/h (223 milhas náuticas/hora), mas já era lento demais para as novas gerações de caças monoplano que entraram em serviço poucos anos depois. Mas mesmo sendo o ultimo caça biplano da RAF, ele teve um uso extenso e indiscriminado por toda a segunda guerra mundial. Ele foi visto em serviço









na batlha do canal, na França, na Belgica e na Noruega, e foi largamente utilizado em ação durante os conflitos no norte da Africa. Lá ele foi plenamente aproveitado de sua alta manobrabilidade, sendo um avião muito abiu para combater seu avião inimigo similar, o italiano CR42 Falco. Apenas quando o Gladiator começou a se deparar com o já muito superior caça alemão BF 109, ele foi obrigado a ser redirecionado e forçado a sair das linhas de frente.
O Gladiator também teve seu uso em outras forças aéreas estrangeiras além da RAF, como na força aérea Finlandesa, que usou o equipamento com Skis (assim como o montado na matéria) contra as forças invasoras russas. O avião também teve um papel importante no treinamento, formação e surgimento de pilotos importantes da RAF. O ás do Gladiator mais famoso foi o Pat Pattle, com 15 vitórias confirmadas voando um Gladiator.






sexta-feira, 20 de maio de 2016

Test-Drive Aerografo BC-61 Steula


Esse é o equipamento do teste. Vamos ver como ele se comporta



 “A aerografia é uma arte em extinção”. É isso que eu ouvi de um colega modelista e ilustrador. E de fato, ele não está mentindo. A aerografia no mundo artístico como um todo está sendo deixado de lado cada vez mais em nome das artes “digitais”. Mas essa máxima não se aplica ao plastimodelismo. Não existe uma ferramenta “digital” que substitua nosso aerógrafo, e com o crescimento do número de praticantes de plastimodelismo no Brasil e no mundo, a demanda por aerógrafos no nosso hobby está cade vez maior.
Hoje em dia, aerógrafo não é mais sinônimo de ferramenta cara como era a questão de uma década atras. Bom... os aerógrafos caros ainda estão por aí... mas como muitas coisas no mundo, à alguns anos os chineses entraram na parada para inflar o mercado com aerógrafos a bons preços e em enorme quantidade, popularizando a ferramenta, possibilitando mais e mais artistas a experimentar a aerografia.
Mas e quanto a qualidade? E a eficiência?
Nessa matéria irei fazer um “Test-drive” num desses modelos de aerógrafos vindos da china. Trata-se do Steula BC- 61 de agulha 0,2 mm. A Steula é mais um das marcas que injetaram esses aerógrafos chineses no Brasil, e fazem um ótimo serviço no quesito suporte ao cliente e peças de reposição, quesitos que outros importadores e distribuidores desses aerógrafos falharam no Brasil.
Vamos iniciar com a ficha técnica do aerógrafo, disponível no site www.steula.com.br :

Adequado para pintura de artes em geral, ilustrações, retoque de fotos, artesanatos, modelismo, hobby. Todos os modelos possuem dupla ação (primeiro liberam o ar e depois a tinta).

Dados Técnicos

- modelo : BC 61-02 (bico 0,2 mm)
- Capacidade do reservatório de tinta = 7 cc
- A tinta chega até o bico por gravidade
- Pressão de trabalho = 15 a 50 PSI
- Entrada do ar comprimido para mangueira entre 3,0 e 4,5 mm
- Possui regulagem do fluxo de tinta  


Primeiras impressões:

iniciando os testes com tinta tamiya. Bom desempenho em
traços médios, mas a tinta grossa afeta o aerógrafo em traços
finos.
O aerógrafo tem um design simples e datado, mas não deixa de ser uma ferramenta elegante. Sua arquitetura é padrão de todos os aerógrafos chineses, fabricados todos da mesma planta. E não se trata de um design autêntico. Os aerógrafos chineses copiam o layout e a arquitetura dos antigos aerógrafos Iwata, da linha HP, com o ressalto da curva da passagem de ar na parte inferior do aerógrafo e o formato do copo fixo. Geralmente os aerógrafos chineses tratam de copiar arquiteturas clássicas de aerógrafos, as vezes com alguma modificação ou alteração, as vezes uma cópia deslavada de algum clássico da aerografia, como a já citada linha HP da iwata, além da série 100 da badger ou a série VL da Paasche.
O aerógrafo possui então, a arquitetura clássica e a padronização do aerógrafos japoneses. Isso se evidência no tamanho padrão das roscas e das conexões serem equivalentes as normas reguladoras dos aerógrafos japoneses (o Japão é um dos pucos países que normatizaram essas medidas).
analisando a qualidade dos traços com tinta acrílica tamiya
O equipamento é bem balanceado. Tem um peso mediano para os aerógrafo, e uma medida ideal que repousa bem na mão. A tampa da culatra é feita de metais leves deixa o CG do aerógrafo mais voltado para parte dianteira, que se carregado de muita tinta, pode apresentar um balanço excessivo, mas controlável e contornável. A escolha do material deve estar relacionado a corte de custo, mas não chega a ser um defeito, a não ser que você tenha predileção por aerógrafos mais pesados. Fato importante da culatra é a existência do limitador de curso da agulha, ideal para quem ainda é novo na arte, ou para quem demanda total controle do aerógrafo em traços finíssimos.
O copo fixo na parte de cima tem um bom ângulo e um bom posicionamento em relação aos concorrentes. O espaço limita a ação do dedo indicador, principalmente na mão de aerografistas de mão grande. Mas esse não é um problema exclusivo desses aerógrafos, então acusá-lo disso seria injusto. Um pecado desse aerógrafo (um deles) é a tolerância com que é feita a tampa do copo. O fechamento não é preciso, tornado a tampa instável e não hermética, propensa a transbordo de tinta. Atenção redobrada a esse detalhe.
Mais testes nos traços finos.
Outro problema intrínseco à esses aerógrafos é a qualidade com que é feito as vedações e o-rings. A opção é sempre por vinil (borracha sintética), uma vedação terrível se for usado tintas diluídas com thinner, como foi feita nesse teste, e como uma parcela muito grande de nós brasileiros usamos aerógrafo. Essas vedações “estufam” na presença de thinner, aumentando de tamanho, “segurando” mais agulha e gatilho de aerógrafo. E realmente, fazendo manutenção de aerógrafos e ajudando aerografistas Brasil a fora, essa é uma queixa constante que eu ouço desses aparelho. Nota que aerógrafos japoneses “legítimos” como tamiya e iwata apresentam essa falha também, mas por usarem vedações de borracha, esse problema se torna presente após muitos anos de uso somente, e não quase que imediatamente como nos Steula e semelhantes.

Iniciando os testes:

Tendo as primeiras impressões dele, hora de por tinta e testar a maquina. Iniciei o teste usando tintas acrílicas da tamiya diluídas com thinner próprio, uma opção de tinta muito comum para nós brasileiros.
novos testes, agora com tinta duco. Melhora na performance
significativa 
Apesar de ser um aerógrafo 0,2mm, de traços finos, a abertura do leque de tinta me impressionou, mostrando versatilidade para pintura de superfícies médias (uma militaria 1/35, uma aviação 1/48 ou um carro 1/25). O comando da válvula me pareceu duro e rápido, mostrando uma mola de retorno bem setada, mas com um o-ring de vedação justo e apertado demais. Já o comando da agulha se apresentou macio, leve e bastante amplo.
O aerógrafo não se comportou muito bem com a tinta tamiya, muito provavelmente pelo fato da tinta acrilica tamiya possuir uma resina e um pigmento um pouco grossos, e o aerógrafo ter uma agulha 0,2mm. Os sprays de traços finos saíram duros e irregulares. Para os sprays médios, o aerógrafo mostrou um comportamento regular e aceitável, e para traços grandes, o aerógrafo se comportou muito bem. Para esse opção de tinta acrílica, o aerógrafo se mostrou uma boa escolha para pinturas maiores, visando brilho, ou camuflagens simples. Nos traços mais finos, ideais para figuras ou camuflagens rebuscadas, chipping e efeitos de shadding, a combinação não seria boa. O comando da abertura de agulha se apresentou macio demais, tendendo a abrir em excesso e perdemos a finura do traço, mas esse problema é contornado com o uso bem aplicado do limitador de agulha na culatra, que se mostrou muito necessário.
Segui com os testes, dessa vez com tinta automotiva DUCO Pr-colors diluídas com thinner automotivo.
Com tinta duco, a qualidade do traço é muito melhor e mais uniforme. Com esse tipo de tinta, o aerógrafo teve um desempenho muito satisfatório
Com esse tipo de tinta, mais fina, o aerógrafo apresentou traços mais controlados e estáveis em todas as dimensões de spray. O aerógrafo passou a ser mais preciso e delicado, apresentado ótimos resultados em traços finos e finíssimos, e também trabalhando muito bem com  baixa pressão (característica muito boa para quem demanda o uso de compressores pequenos e portáteis).
Segui com o test-drive, botando o aerógrafo para trabalhar em  serviços corriqueiros aqui na bancada do blog, como na customização de figuras de forte apache. Foram três dias de trabalhos intensos e diversas trocas de tinta e pausas para limpeza e manutenção eventual.
Uma limpeza básica era feita todas as vezes que havia troca de tinta (sem desmontar nenhuma peça do aerógrafo), a cada 3 ou 4 trocas de tinta, o aerógrafo apresenta um endurecimento do curso da agulha, necessitando sua retira e limpeza dessa, algo absolutamente dentro do esperado.
A falta de precisão no fechamento do copo de tinta foi um problema algumas vezes, causando acidentes na pintura. Atenção redobrada (mais uma vez) com o fechamento e com a quantidade de tinta no copo do aerógrafo. Também foi sentido pouco precisão no ajuste da trava da agulha, com dificuldade as vezes para setar o aerógrafo em traços finos e finíssimos.
Apos um dia de uso intenso, o aerógrafo já começou a apresentar um dos problemas mais graves desses aerógrafos chineses, como já foi citado aqui, que é o endurecimento do o-ring e do atuador do gatilho. Logo ao final do primeiro dia ele já apresentou endurecimento, e na metade do segundo dia, já apresentava travamentos e a necessidade de reidratação e lubrificação.

Comparativo:

Foi colocado o aerógrafo para trabalhar com outros modelos de aerógrafos de marcas famosos para um comparativo de traço. Foi escolhido modelos de aerógrafo de entrada, todos de agulha 0,3mm ou mais (já que os aerógrafos de traço fino que possuia aqui para comparação são modelos muito sofisticados e caros, a comparação não seria justa, então preferi utilizar modelos de entrada das marcas). O Steula BC 61 foi para a briga com Gatti Ag3 (0,3mm), Iwatta Neo CM (0,35mm), Tamiya HG (0,3mm) e Badger Renegade Rage (0,38mm). Todos trabalhando com a mesma tinta e a mesma diluição. O Steula foi muito bem nesse teste. Ele apresentou o menor traço do teste (esperado por ser o aerógrafo de menor agulha), Apesar do Iwata neo empatar no traço mesmo com uma agulha 0,35, e o tamiya apresentar uma linha mais regular e suave. O Steula também apresentou um bom controle de degradê, um traço bastante suave como o do gatti, e uma cobertura um tanto irregular (dentro do esperado para o tamanho da agulha) porem delicada para efeitos highlight ou de baixa cobertura.
Comparando o equipamento a outros, seu desempenho não ficou abaixo do esperado. Se comportou bem perto de grandes marcas.
O teste mostrou algo que já sabia desse aerógrafo: Em boas mãos, e utilizando os produtos certos, é possível extrair trabalhos muito bons desses equipamentos, principalmente quando eles estão novos e bem conservados. Mas minha experiência com esses aerógrafos mostra justamente essa dificuldade: mantê-los novos e conservados.
Devido uma tolerância maior na hora de fabricá-los e aos materiais mais baratos, tudo visando baixar custos de produção, esses aerógrafos envelhecem mal. Eles se deterioram muito rápido, e as vezes a manutenção passa a ficar mais cara que a compra de um novo. E por herdar a antiga arquitetura dos aerógrafos japoneses, ele apresenta os mesmos problemas que esses aerógrafos apresentam, mas de forma acentuada.
O o-ring da valvula é um deles, como já foi dito aqui nessa matéria. Mas existe outros problemas:

melhor forma de testar o equipamento é colocando ele
pra trabalhar.
Quebra do nariz: Esses aerógrafos apresentam um índice grande de quebra do nariz (o bico interno do aerógrafo), isso porque a peça é extremamente delicada, projetada para ser manuseada o mínimo de vezes possível, de preferência nunca. Qualquer aperto “ligeiramente” mais forte, pode resultar em quebra, assim como nos aerógrafos japoneses. Mas há um agravante. É posto nessa peça, nos aerógrafos chinese, um minusculo anel de vedação, feito também de vinil (borracha sintética), que também expande e deforma ao contato de tintas mais fortes, calçando a rosca do nariz, e isso acarretará na quebra do nariz caso seja necessário a remoção. Isso acontece em aerógrafos japoneses também, mas esses são feitos com uma precisão tão grande, que é possível retirar essas vedações do aerógrafo antes que elas apresentem problemas, e sem prejudicar a eficiência do equipamento. Já nos chineses, nem sempre é possível.

Vazamentos de ar: Não é difícil ver esses aerógrafos apresentando falhas na vedação dos dutos internos de ar, principalmente saindo daquela protuberância da parte inferior do aerógrafo. Mais uma herança do design da Iwata. Porem, esse problema no iwata aparecia com uma incidência milhares de vezes menor. Mas já foi o suficiente para marca remover essa protuberância dos modelos mais modernos da marca, deixando apenas nos modelos clássicos.

Desgaste prematuro do conjunto bico agulha: Com poucos meses de uso intenso, bons aerografistas já são capazes de perceber a perda de precisão do equipamento, um desgaste natural que pode demorar até décadas para aparecer em um aerógrafo de mais qualidade.


Considerações finais:

Os aerógrafos chineses vieram para ficar, com defeitos e acertos, eles estão aí, a preços acessíveis, e gerando resultados satisfatórios. Cabe a marcas importadoras como a Steula oferecer ao mercado opções de peças avulsas para manutenção e suporte aos clientes (não é uma crítica direta a Steula, uma marca que inclusive vem se mostrando muito competente nessa área de pós venda). A questão de arquitetura de aerógrafo, eles são bem satisfatórios, bons aerógrafos por nascença, diria que 0 a 10, recebem uma nota 6,5, podem melhorar muito essa nota se melhorarem as vedações do aerógrafo, e alcançando a perfeição se melhorarem a tolerância na usinagem e na qualidade dos materiais escolhidos. Mas acredito que não seja esse o foco do momento. Esses aerógrafos estão aí para serem uma opção de entrada barata e de alguma confiança, abrangendo o máximo de novos adeptos através dos preços baixos, e sem dúvida fazem isso com exatidão. Então veremos ainda muito novatos promissores e bons trabalhos feitos com esses “baratinhos”, e sinceramente, ainda bem que eles existem, pois o movimento de popularização da aerografia que eles fazem é maior que as falhas que eles apresentam. Aerógrafos chineses estão aí para ajudar. Que bom!



vídeo completo sobre as técnicas utilizadas nessa pintura:



trabalho final feito quase que por completo com o aerógrafo BC-61. Em mãos bens treinadas, pode render um excelente trabalho.